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Ercília Pollice

Escritora, poeta, acadêmica da Academia de Letras de Bauru,
artista plástica e assessora de Arte de Ju Machado-Escritório de Arte

 

Quando todas as certezas são incertas

terça-feira, 28/10/08 – 21h55

“Casa que não tem pão, todo mundo grita, e ninguém tem razão.”
(Autor desconhecido)

“O capitalismo se deixado muito livre, acaba por se destruir”
Karl Marx

O mundo econômico virou um pandemônio. O demônio do medo, da desconfiança, o demônio da safadeza, da incerteza, pegou nossa aldeia global de calça nas mãos. Aliás, não sei se “tão nas mãos assim...”

Um boato aqui e ali, inflação americana, e. O buraco do deficit público virou rombo; e em meio a tantos milhões, bilhões e até trilhões, tanto enriquecimento nos cassinos virtuais das bolsas e das "commodities", apenas papéis e mais papéis, sem lastro. Nomes estranhos que ninguém nunca sabe o que significam; o mundo acordou pobre.

Pelo menos desta vez, deu pra ter orgulho dos nossos bancos, nosso sistema financeiro , agora com nota de excelência, apreciação dada a bom menino que fez a o dever bem feito. Estão sólidos! Ufa!!! Quem diria heim?

Na terra de Tio Sam, hipotecas sobre hipotecas. E o americano médio vivendo à gorda. Gastando um dinheiro que estava longe de possuir, financiando até a mãe, mas deixando de entregar, claro... E, o mais grave, os bancos emprestando. E a tal da alavancagem? E a falta de regulação, que pra mim deveria ser regulamento. Enfim é o economês que neste século somos obrigados a digerir dia após dia, com mais frequência. O mundo gira em torno da economia. Quando o mais apropriado seria a economia girar em torno do mundo. Ah! Nossas certezas todas indo pro brejo.

A verdade é que cada qual fazia o que melhor lhe aprouvesse. Proibido proibir! Probido dizer não. Proibido regulamentar. Difícil é aceitar que ninguém soubesse que isto ia dar no que deu...

E o rombo virou buraco negro. E toda solidez dos países do Euro, e toda supremacia econômica dos 7 grandes, os mais ricos, os países xerifes de nós outros, ainda lutando pra crescer, começou a estourar feito bolha de sabão. Não posso deixar de me lembrar da brincadeira que meus filhos faziam, quando crianças , com as pedras do dominó ou com cartas de baralho. Tudo arrumadinho, lindo, aparentemente sólido e em ordem, porém, bastava um só dedinho empurrar as pedras ou as cartas e “ploft”; iam caindo uma a uma, até que todas ficassem no chão, esparramadas, feias, inúteis. E eu me pergunto dentro da minha ignorância, onde foi parar a solidez dos países ricos, onde foi parar a tal economia de mercado?

Foi bom enquanto durou. Quem não cresceu, que crescesse. É como diziam as crianças do meu tempo: “Acabou-se o que era doce”. E ainda poderíamos cantar:”... o anel que tu me deste, era vidro e se quebrou...”

Acabou–se a gastança. Acabou-se a bonança. Acabou-se a confiança.

Engraçado é que há seis meses atrás, a gente ouvia numa entrevista aqui e ali, que os US iam quebrar, mas não entendo bem o porquê, todos os “Sábios de Sião” não tomaram nenhuma precaução. Nenhuma providência. Nada!

E agora, José? Todos vamos sofrer, claro. Mas, claro também, que alguns vão sofrer mais que outros. Pois já sabemos que esta história que todos os bichos são iguais, não cola mais. Uns sempre são mais iguais que os outros.

E quem tem menos paga mais, sofre mais, desemprega-se mais e adoece mais. E assim vai...

E como é mesmo aquela conversa que o Tissunami americano, chegaria aqui como marola? A realidade já impôs algumas ressalvas à esta afirmação.

Papai – Noel , infelizmente não existe, nem fadas.

Em verdade nesta história o que vejo são Ali Babás, e seus ladrões, e põe ladrões nisso.

O “abre-te sézamo”, não abre mais a porta do cofre. E o que sobrou por aí, é muita bruxa solta. Como disse o Papa, num rasgo de iluminação: Confiança só em Deus.

E que Ele nos proteja de tudo e de todos sem exceção. Principalmente dos que falam demais. Pois como já disse no início: CASA ONDE NÃO TEM PÃO, TODO MUNDO GRITA E NINGUÉM TEM RAZÃO.

 
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