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Ercília Pollice

Escritora, poeta, acadêmica da Academia de Letras de Bauru,
artista plástica e assessora de Arte de Ju Machado-Escritório de Arte

 

Ser ou não ser, eis a questão!

quarta-feira, 19/08/09 – 18h20

Quando assisti, ontem, ao vivo, na reunião do Senado, a sabatina feita pela Comissão de Constituição e Justiça à Secretária da Fazenda, Dra. Lina Vieira, sobre os detalhes da sua ida à Casa Civil, a convite da Ministra Dilma Roussef, lembrei-me de como agia com meus filhos quando crianças. Ao descobrir que faziam alguma traquinagem, e o autor da façanha não aparecia, eu lhes dizia seriamente, não vão falar quem foi? Espera que o anjinho vai escrever na testa de quem estiver mentindo.

Mais que depressa o autor da arte, colocava as mãozinhas na testa, para o anjinho não poder escrever e assim revelar o mentiroso.

Ah! Se agente pudesse fazer isso,para descobrir todos os mentirosos de plantão.Como seria fácil!

Mas, infelizmente isto só funciona com crianças ingênuas, crédulas, pertencentes às boas famílias.

O que não é nem de longe o nosso caso.

É um diz –que–me–disse, um fala aqui desmente ali. Muita falação e pouca ação. Uma verdadeira falácia!

Vendo e ouvindo aquelas excelências todas, me perguntei mais de uma vez se estava assistindo diretamente do Senado ou do cais do porto. Aquilo mais parecia briga de lavadeira em beira de cachoeira.

Até o líder do PT, senador Aluísio Mercadante sempre tão comedido, ergueu a voz para Dra. Lina, como se ela fosse a dona Mariazinha da esquina. Não só ele, mas outros tantos. Nossos políticos não perderam o complexo de sinhozinhos de engenho, tratando a coisa pública como parte de sua fazenda.

Justiça seja feita, a Sra. Secretária respondeu tudo com temperança e educação, dando um banho de “finesse” nos doutores todos.

Tranquilamente afirmou ter sido convocada `a este encontro particular com a Ministra, deu detalhes, a Sra. Erenice, aquela que desmente sempre tudo, estava lá presente para recepcioná-la etc...

Não vou achar que a Dra. Lina agiu certo. Como funcionária de carreira que é, tendo o conceito de que não deve haver ingerência do executivo nas questões tributárias, sabedora que era, como ela mesma disse, que os Governos passam mas a Intsituição permanece, deveria ter agido diferentemente: primeiro, falando dessa convocação ao Ministro Mantega, seu superior, e, depois do encontro, achando, como disse que o pedido da ministra Dilma, para que ela “agilizasse a fiscalizaçao do filho do Sarney”, era impróprio, tinha obrigação de avisar seu superior, também. Se tivesse feito dessa forma, com a lisura de boa funcionária, sem usar o jeitinho brasileiro de fazer as coisas, teria evitado muita dor de cabeça, pois estaria calçada.

Agora falemos da outra parte interessada na história; a ministra para quem tem um passado meio fora dos moldes normais deveria andar mais nos trilhos. É a velha história, quem tem telhado de vidro, não joga pedra no telhado do vizinho.

Alguns episódios não muito tranquilos, nos fazem perceber como é o estilo "a lá Dilma" de governar. Por exemplo, quanto por ocasião da venda da Varig a Denise Abreu, da ANAC, reclamou que a ministra se meteu demais onde não deveria, e é claro Dilma Roussef negou.

Depois foi a vez do dossiê do ex-presidente Fernando Henrique e Dona Rute Cardos que encomendado pela Casa Civil, quando descoberto, virou apenas um banco de dados.

Ainda temos a história do curriculum vitae, que fora lido em sua presença mais de uma vez, sem que ela desmentisse uma só palavra, quando descoberta a farsa do mestrado e doutorado, novamente, ela se fez de vítima, desconhecendo o autor das mentiras. Viva a imprensa!

Eu ,ainda me questiono, o que pretendia a Ministra Dilma ao pedir a Dra. Lina essa agilização? Salvar o filho do senador Sarney de problemas, ou rapidamente vê-lo derrubado frente às investigações? Eis aí o jeito PT de governar. Lisura nisto tudo é o que não se vê!

Isso porque ela é ainda apenas Ministra, subordinada ao Presidente. Imagine quando tiver o poder máximo em suas mãos.

Coisas como estas, lhes agradam? A mim, confesso que não. Nem um pouco!

Crer ou nao crer? Escolher ou não escolher? Votar ou não votar?

A indignação nos faz pasmos e a vontade de não votar mais teima em se fortalecer. Eis o grande perigo, nesta democracia cheia de proprietários, como se ainda estivéssemos na época das sesmarias.

Eis a questão!

 
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