terça-feira, 01/12/09
- 16h05
Projeto será apreciado
nesta quarta-feira
Depois de muito tempo sem andamento, finalmente
nesta quarta-feira, 2 de dezembro, devem ser votados
na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado três projetos
de lei que restringem o uso de cigarro e outros
derivados do tabaco em ambientes coletivos. As
propostas alteram a Lei Federal 9.294/96, que
proíbe o fumo em ambientes fechados, mas
permite os chamados fumódromos.
O projeto na CCJ está sob relatoria da
senadora Marina Silva e ainda precisa passar pela
Comissão de Assuntos Sociais antes de seguir
para a Câmara. A relatora deu parecer favorável
ao projeto do senador Tião Viana, que proíbe
fumar em qualquer espaço fechado, sem exceções.
Dois outros projetos, que mantinham o fumo em
áreas separadas para fumantes, foram rejeitados.
Para a Aliança de Controle do Tabagismo
– ACT, a proposta do senador Tião
Viana é correta, pois se ajusta à
Convenção-Quadro para Controle do
Tabaco, tratado internacional de saúde
pública assinado e ratificado pelo Brasil.
Segundo a diretora-executiva da ACT, Paula Johns,
“não há qualquer dúvida
de que os ambientes fechados livres de fumo são
uma medida eficaz de proteção da
saúde de toda a população,
e em todos os países que adotaram tal prática,
o número de internações por
doenças cardíacas caíram
em pouco tempo. Também não foram
observadas perdas econômicas, como algumas
associações de bares e restaurantes
alegam”.
A ACT está solicitando apoio ao PL e
estará presente na votação.
O EFEITO DOMINÓ DAS LEIS ANTIFUMO
Na ausência de uma lei federal eficaz,
leis que criam ambientes fechados 100% livres
do fumo, as chamadas leis antifumo, têm
sido aprovadas nos últimos 12 meses em
diversos estados, como São Paulo, Rondônia,
Rio de Janeiro, Paraná e Paraíba,
e municípios como Salvador, Juiz de Fora
- MG, Goiânia - GO, Maringá, Curitiba
e Cornélio Procópio-PR, Belém
- PA e Tubarão – SC.
É consenso entre a comunidade científica
que a adoção de um conjunto de medidas
de controle do tabagismo, tais como os ambientes
fechados 100% livres de fumo, o aumento dos preços
e impostos sobre cigarros e outros produtos de
tabaco, a proibição da publicidade,
promoção e patrocínio de
produtos de tabaco, as advertências nos
maços de cigarros, além do tratamento
para fumante, é a forma mais eficaz de
diminuir o consumo desses produtos.
Os ambientes fechados 100% livres de fumo são
desejados pela população. Pesquisa
ACT/Datafolha, de 2008, constatou que 88% dos
brasileiros apoiam a proibição do
fumo em locais fechados. É interessante
observar que até os fumantes são
contrários a que se fume em ambientes fechados
(cerca de 80%).
Uma outra pesquisa ACT/Datafolha, feita entre
julho e agosto de 2009, no período de entrada
em vigor da lei antifumo de São Paulo,
mostrou que o conhecimento dos paulistas era quase
total a respeito da lei: 99%. Para mais de 90%
dos entrevistados – fumantes e não
fumantes – a lei antifumo:
• Traz benefícios à própria
saúde e da sua família,
• A proibição de fumar em
ambientes fechados é justa, em função
dos benefícios que vai trazer,
• Permitirá às pessoas reclamar
seus direitos de respirar ar puro.
Permitir fumódromos, como previsto na
atual lei federal 9294/96 -- defasada em seus
13 anos de existência – é ir
na contramão da história, do consenso
científico e do compromisso assumido internacionalmente
pelo Brasil em 2006, por meio da Convenção
Quadro para o Controle do Tabaco. Não existe
qualquer dúvida, na comunidade médica
e científica, de que a exposição
à fumaça do tabaco, tóxica
e cancerígena, faz mal à saúde
de fumantes e não fumantes, e que não
há nível seguro de exposição
a ela. Além disso, está comprovado
que não existe sistema de ventilação
eficaz que elimine e isole todas as toxinas existentes
na fumaça do tabaco.
A ACT vem acompanhando a tramitação
das leis estaduais e municipais, e vai acompanhar
o processo de tramitação do PL federal
no Senado e, posteriormente, na Câmara dos
Deputados.
Para a ACT, a atuação de deputados
estaduais e vereadores merece um grande destaque.
Em algumas localidades, como Pelotas, Lauro de
Freitas, Roraima e Mato-Grosso, eles não
só aprovaram leis antifumo que foram vetadas
pelo Poder Executivo, mas por maioria e até
por unanimidade em alguns casos, rejeitaram o
veto e sancionaram as leis, que passarão
a valer dentro de alguns dias.
“A posição firme e confiante
desses parlamentares priorizando a defesa da saúde
pública e ocupacional merece destaque e
reconhecimento, principalmente em um país
onde a defesa de interesses econômicos prevalece
inúmeras vezes em detrimento dos interesses
e necessidades da população”,
conclui Adriana Carvalho, advogada da ACT que
vem acompanhando todos os projetos de lei.
OS FUMANTES NO BRASIL
Curiosamente, o PL federal que proíbe
o fumo em qualquer ambiente fechado estará
sendo apreciado na semana seguinte à divulgação,
pelo IBGE, de que 17,2% da população
brasileira acima de 15 anos é fumante,
e a incidência do tabagismo varia de 16,9%
(no Centro-Oeste e no Sudeste) a 19% (no Sul).
A pesquisa revelou que a população
brasileira, tanto os fumantes quanto os não
fumantes, conhece hoje muito bem os riscos provocados
pelo tabagismo.
A pesquisa do IBGE confirmou que os homens fumam
mais que as mulheres (21,6%), que o maior número
de fumantes está na faixa etária
de 45 a 64 anos de idade (22,7%), entre os moradores
da região Sul do país (19,0%), os
que vivem na área rural (20,4%), os menos
escolarizados (25,0% entre os sem instrução
ou com menos de um ano de estudo) e entre negros
e pardos (19,0%).