Além da alta freqüência da
conjuntivite verificada no brasileirão,
aumento da transpiração e estresse
geram alterações visuais que comprometem
o desempenho.
Praticar esportes faz um bem indiscutível
à saúde, mas também pode
induzir a doenças se não forem tomados
cuidados simples para preservar a saúde.
Este é o caso da conjuntivite (inflamação
da conjuntiva) que no brasileirão afastou
do campeonato vários craques: Bruno do
Flamengo, Henrique do Corinthians, Arouca do São
Paulo, Chiquinho do Atlético – GO,
mais cinco jogadores do Fortaleza.
Coceira, vermelhidão, pálpebras
inchadas, sensibilidade à luz, lacrimejamento
e queda da visão são os sintomas
da doença. Segundo o oftalmologista do
Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz
Neto, a conjuntivite mal tratada pode provocar
cicatrizes na córnea que causam declínio
permanente da visão, mas é considera
um mal menor pelo brasileiro. Tanto que só
o medo da gripe suína fez a população
adquirir hábitos que previnem a doença:
lavar as mãos com freqüência,
evitar o compartilhamento de objetos pessoais
e aglomerações. É o que aponta
um levantamento feito pelo médico de junho
a agosto quando o número de diagnósticos
teve uma queda de 25%, comparado ao mesmo período
de 2008.
Para Queiroz Neto, a alta freqüência
da conjuntivite entre jogadores profissionais
indica uma incidência bem maior nos participantes
de peladas de final de semana. O problema, comenta,
é que o futebol e outros esportes de contato
dificultam a adesão aos hábitos
preventivos. As dicas para driblar esta dificuldade
são: evitar levar as mãos aos olhos
e o compartilhamento de toalhas durante os jogos.
UMIDADE DOS OLHOS FACILITA SOBREVIVÊNCIA
DE VÍRUS
O médico alerta que até no verão
os olhos facilitam a sobrevivência de vírus
por serem úmidos. Por isso, nesta época
do ano a higiene deve ser redobrada para evitar
a conjuntivite que cresce 20%. Além do
vírus, explica, no calor a conjuntivite
pode ser causada por bactérias que se proliferam
em ambientes quentes e pelo contato com substâncias
químicas que penetram nos olhos através
do suor. Ao primeiro sinal de desconforto a recomendação
é fazer compressas quentes quando houver
secreção amarelada e gelada se a
secreção for transparente. Não
desaparecendo os sintomas em dois dias é
importante consultar um oftalmologista.
DESIDRATAÇÃO AMEAÇA
OLHOS
Jogadores de futebol e praticantes de outras
atividades aeróbicas têm o dobro
de risco de apresentar doenças relacionadas
ao calor – desidratação, exaustão
e choque térmico. Para os que têm
IMS (Índice de Massa Corpórea) acima
do normal este risco é ainda maior, afirma
Queiroz Neto. Isso porque, o sobrepeso aumenta
a transpiração, a chance de ocorrer
alterações cardíacas e circulatórias.
Na opinião do especialista, no Brasil as
partidas de futebol geralmente acontecem no final
da tarde para minimizar estes efeitos. Ainda assim,
comenta, a transpiração intensa
faz muitos jogadores sentirem câimbra por
causa da grande perda de água e sódio
durante os jogos. Nos olhos, ressalta, mesmo a
desidratação leve, acarreta o ressecamento
da lágrima cujos sintomas são ardência
e visão embaçada. Para evitar este
desconforto, ele diz que esportistas devem tomar,
no mínimo, 2 litros de água/dia,
ou até mais se sentirem sede, além
de consumir alimentos ricos em Ômega 3 que
melhoram a qualidade da lágrima. Até
a redução da visão periférica
pode ocorrer como conseqüência da falta
d’água. O especialista explica que
isso acontece quando a desidratação
ocasiona hipotensão arterial (pressão
baixa) em portadores de glaucoma de pressão
intra-ocular normal – 10 a 21 mmHg (milímetros
de mercúrio) - que atinge entre 10% e 15%
dos portadores da doença.
HORMÔNIOS FORA DE FOCO
Queiroz Neto diz que entre atletas boa parte
das dores musculares está relacionada ao
estresse a que são submetidos durante as
competições. Isso porque, em situações
estressantes as glândulas supra-renais aumentam
a produção de dois hormônios
– cortisol e adrenalina – que aumentam
a tensão muscular. Isso também desencadeia
o enrijecimento da musculatura ciliar que sustenta
o cristalino, membrana ocular responsável
pela focalização das imagens. Por
isso, quem tem miopia, astigmatismo ou hipermetropia
pode experimentar uma piora da acuidade visual
durante as práticas esportivas.
A falta de foco, comenta, contribui com o aumento
das contusões, quedas e erros táticos
em campo. A dica para diminuir este efeito é
fortalecer a musculatura com suplementação
de vitamina E que também combate a formação
de radicais livres, responsáveis pelo enfraquecimento
e envelhecimento precoce da visão.