SUS financia seis novos fitoterápicos
quarta-feira, 02/12/09 - 12h27
Oferta passa de dois para oito produtos à
base de plantas medicinais. Eles são indicados
para o tratamento de problemas como prisão
de ventre, inflamações e sintomas do
climatério
O Sistema Único de Saúde (SUS) financiará
seis novos medicamentos fitoterápicos. A partir
do próximo ano, os postos de saúde poderão
oferecer fármacos produzidos à base
de alcachofra, aroeira, cáscara sagrada, garra
do diabo, isoflavona da soja e unha de gato. Com isso,
o número de fitoterápicos financiados
pelo SUS passa de dois para oito. Os novos produtos
– preparados a partir de plantas medicinais
– são indicados para o tratamento de
problemas como prisão de ventre, inflamações,
artrite reumatóide e sintomas do climatério
(veja quadro abaixo). Esses medicamentos serão
financiados com os mesmos recursos utilizados para
a compra dos medicamentos da atenção
básica. A portaria que inclui esses fitoterápicos
no Componente Básico de Assistência Farmacêutica
foi publicada no Diário Oficial da União
nesta semana.
O diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica
do Ministério da Saúde, José
Miguel do Nascimento Júnior, explica que a
escolha desses fitoterápicos considerou as
evidências científicas de segurança
e eficácia a respeito deles. “Vamos ampliar
as opções terapêuticas para a
população. Ao oferecer esses fitoterápicos
no SUS, aliamos a sabedoria e a prática popular
às evidências científicas desses
medicamentos”, afirma Nascimento.
Ele observa que os medicamentos são extraídos
de espécies da flora brasileira não
ameaçadas de extinção. Dessa
forma, o financiamento segue a recomendação
da Organização Mundial da Saúde
(OMS) de que os países usem os recursos naturais
disponíveis no próprio território
para promover a atenção primária
à saúde. “Além de ampliar
a oferta de opções terapêuticas
para a produção, vamos contribuir para
o uso sustentável da biodiversidade nacional
e para o desenvolvimento da agricultura e da indústria,
além de incentivar a criação
de empregos” ressalta o diretor.
DISTRIBUIÇÃO- Desde 2007, o SUS financia
medicamentos fitoterápicos feitos à
base de espinheira santa (para gastrites e úlceras)
e guaco (para tosses e gripes), em apresentações
como cápsula, comprimido e xarope, entre outras.
Os produtos integram as listas de distribuição
de medicamentos em 13 estados.
A inclusão dos seis novos fitoterápicos
faz parte das ações do Programa Nacional
de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que
busca oferecer mais opções terapêuticas
à base de plantas medicinais para a população.
Os estados não são obrigados a oferecer
todos os medicamentos. Assim como ocorre com a lista
de fármacos da atenção básica,
as secretarias estaduais e municipais de saúde
deverão definir os medicamentos que serão
distribuídos na rede pública de saúde,
de acordo com a necessidade de cada região.
José Miguel do Nascimento Júnior destaca
que a oferta dos fitoterápicos não interfere
na política de distribuição de
medicamentos alopáticos sintéticos,
os mais conhecidos entre a população
brasileira. A prescrição dos fitoterápicos
será realizada pelos médicos e, com
a receita médica em mãos, os pacientes
terão acesso a eles nos postos de saúde
gratuitamente.
COMITÊ – O Ministério da Saúde
criou, em setembro, o Comitê Nacional de Plantas
Medicinais e Fitoterápicos. Coordenado pelo
Ministério e formado por membros do governo
federal e da sociedade civil, o Comitê monitorará
e avaliará as ações do Programa
Nacional de Fitoterápicos. Esse programa contempla
todas as etapas de produção de um fitoterápico.
As ações vão desde as pesquisas
que demonstram evidências científicas
da planta para um determinado tratamento, passando
pelo cultivo, colheita e extração, até
a produção e comercialização
do produto.
