Gravidez na adolescência no
Brasil cai, mas ainda preocupa
domingo - 08/11/09 - 12h33
Ricardo Cristiano Leal da Rocha
Segundo dados divulgados recentemente
pelo Ministério da Saúde, o número
de partos realizados na rede pública em gestantes
de 10 a 19 anos caiu 7,9% entre 2007 e 2008. As maiores
quedas aconteceram, sobretudo, nas regiões
Sudeste, seguida pelo Sul e Centro-Oeste. Há
regiões que não apresentaram queda.
O Amapá até registrou aumento de 39,2%
nos casos.
Como se vê, são muitas as particularidades
de cada uma das regiões brasileiras. Porém,
a partir de semelhanças com outros países,
podemos confirmar que a incidência de gravidez
na adolescência é mais frequente entre
as populações mais pobres e com baixa
escolaridade. Para ter uma ideia, o Japão possui
incidência de 2% a 3%, enquanto que a Nigéria
alcança índices de 53% entre suas populações
jovens.
O desnível sócio-econômico cultural,
o nível de pobreza geral, as inúmeras
condições de vulnerabilidade e os elevados
índices de prostituição infanto-juvenil,
além da atividade sexual exercida cada vez
mais precocemente, são alguns dos principais
motivos para estes índices.
No entanto, diferentemente do passado, hoje, na maioria
das vezes, a primeira gestação na adolescência
não acontece por desinformação
sobre os métodos anticoncepcionais. Vários
estudos brasileiros e pesquisas de opinião
pública comprovam que as adolescentes conhecem
os métodos, contudo, não fazem uso dos
mesmos.
Mais do que oferecer informação, precisamos
de mais projetos de integração na área
do adolescente, como já existem de forma isolada
como aqueles promovidos pela Secretaria Estadual de
Saúde de São Paulo, mobilizando estas
jovens de forma educativa e cultural, abrindo espaço
para diálogo e discussões, gerando reflexões,
conhecimento, mudanças de atitude em relação
à atividade sexual segura e responsável.
Ações como estas são importantes
e podem refletir, inclusive, na redução
das taxas da segunda gravidez na adolescência.
E ainda no desvio por repetição, que
são os filhos de adolescentes que têm
maior possibilidade de se tornar pais e mães
também na adolescência. Isso porque,
de 50% a 70% das mães adolescentes são
filhas de pais e mães adolescentes.
A prevenção da gestação
na adolescência é também medida
importante para redução das altas taxas
de mortalidade materna. Na população
geral, a mortalidade materna é a oitava causa
de óbito entre mulheres. Contudo, na adolescência,
é a sexta causa de morte. Isso significa que
adolescentes têm 2,5 vezes mais chances de evolução
para óbito em decorrência de complicações
diretas da gestação, parto e puerpério,
principalmente aquelas na faixa etária de 15
a 19 anos, quando comparadas a mulheres de outras
faixas etárias.
Dr. Ricardo Cristiano Leal da Rocha é presidente
da Comissão de Ginecologia e Obstetrícia
Infanto-Puberal da FEBRASGO