SBPT alerta para aumento da mortalidade
pela doença
sexta-feira, 13/11/09 – 14h45
Governo Federal não disponibiliza na rede
pública os medicamentos necessários
para o tratamento
O Dia Mundial da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva
Crônica), comemorado em 17 de novembro, chama
a atenção para uma doença que
tem alto impacto na qualidade de vida dos portadores,
hoje cerca de 7 milhões de brasileiros. Classificada
como a 6ª causa de óbito no mundo e a
5ª no Brasil, a DPOC está atrás
somente de infarto do miocárdio, câncer,
acidente vascular cerebral e violência, como
acidentes e homicídios. No país, é
a doença que apresentou o maior aumento percentual
de mortalidade nos últimos 20 anos, chegando
ao índice de crescimento de 301%.
A doença é caracterizada pela associação
da inflamação brônquica (bronquite)
e da destruição alveolar (enfisema)
e pode ser considerada como uma doença sistêmica,
uma vez que, além das alterações
nos pulmões, o portador pode desenvolver cardiopatias,
hipertensão arterial, diabetes, asma, osteoporose,
entre outras.
Além dos prejuízos na qualidade de
vida, o paciente sofre com o alto custo do tratamento.
“Quando a doença progride, é altamente
incapacitante. A pessoa acaba dependendo de cuidadores
e não tem condição de trabalhar.
O impacto socioeconômico é muito grande,
porque é uma doença longa e que custa
caro”, afirma o dr. Alberto Cukier, coordenador
da Comissão de DPOC da Sociedade Brasileira
de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
O tratamento não é disponibilizado
pelo Governo Federal. Apenas alguns estados, como
São Paulo, têm protocolos de atendimento
que incluem o tratamento necessário.
“As pessoas têm limitações
e, muitas vezes, acabam não tendo o tratamento
no momento que precisam e podem desenvolver maior
falta de ar”, comenta o dr. Cukier.
A região nordeste também já
dispõe de distribuição de medicamentos
para a DPOC, distribuídos com recursos dos
estados, da mesma forma como acontece no Distrito
Federal e Espírito Santo.
“Além de medicamentos é necessário
que os estados invistam no diagnóstico da DPOC,
o que não ocorre. Existem, hoje, poucos centros
em todo o Brasil habilitados para a realização
deste diagnóstico”, alerta dr. Fernando
Lundgren, Diretor de Defesa Profissional da SBPT.
Segundo ele, é importante que a população
seja informada da necessidade de conhecer a medida
de sua função respiratória, que
é realizada com um equipamento simples, denominado
espirômetro. Nos estados, poucos centros oferecem
a realização deste exame pelo SUS”.
Outra medida de suma importância é que
a população se atente às campanhas
antitabagismo, já que a maior parte dos casos
de DPOC – entre 80 e 85% - está relacionada
ao cigarro e, portanto, poderia ser evitada. Para
a prevenção, também é
importante a realização anual do exame
de espirometria, que permite o diagnóstico
precoce, principalmente em fumantes acima dos 40 anos
de idade.
Esmiuçando a DPOC
Vale ressaltar que se trata de uma doença
progressiva: seu início pode ser falta de ar
para andar em locais planos e, nos estágios
finais, o paciente já nem consegue tomar banho
ou trocar de roupa sem ajuda de outra pessoa. Ocorre
a partir dos 40 anos, apresentando sintomas como tosse,
muitas vezes com catarro, e falta de ar.
“O tratamento não é curativo,
mas pode evitar a evolução da DPOC e
diminuir os sintomas”, afirma o dr. Cukier.
Os resultados são melhores se o diagnóstico
e início do tratamento são realizados
precocemente.