quarta-feira, 04/11/09 –
15h10
Andar de carro conversível é um
risco para a audição
Um estudo realizado pelo Worcestershire Royal
Hospital, da Inglaterra, alerta que andar de carro
conversível pode ser uma ameaça
aos ouvidos. A exposição prolongada
ao barulho do motor, da estrada, do vento e do
trânsito eleva muito o risco de problemas.
Os resultados, baseados nos níveis de
barulho do lado direito e do lado esquerdo do
motorista, enquanto dirigia com a capota aberta
e em diferentes velocidades, mostraram que, em
uma velocidade entre 80 e 112 km/h, o ruído
atingiu 88 e 90 decibéis - um nível
maior do que os 85 decibéis considerados
como limite para o risco de perda de audição.
Os pesquisadores repetiram os testes com diversos
modelos de conversíveis, na mesma estrada,
local e horário - fora do considerado período
do rush - e registraram resultados parecidos,
com o nível máximo de 99 decibéis.
A fonoaudióloga Isabela Gomes, do Centro
Auditivo Telex, lembra, no entanto, que existem
pessoas mais suscetíveis aos altos ruídos
do que outras. "O ideal é consultar
um especialista e fazer um exame chamado audiometria,
para detectar se já existe alguma perda
auditiva e obter as orientações
necessárias para prevenir ou impedir o
agravamento do problema."
Para diminuir os níveis de ruído,
os cientistas aconselham os motoristas a levantarem
os vidros do carro, mesmo com a capota erguida.
Segundo eles, desse modo o barulho é reduzido
e diminuem os riscos de problemas de audição.
Outra medida bastante eficaz é o uso de
protetores auriculares, por parte dos motoristas,
enquanto o carro estiver transitando com a capota
aberta. "Os protetores reduzem o volume excessivo,
mas não impedem o motorista de ouvir o
som ambiente", explica a fonoaudióloga.
Moldados de acordo com a anatomia do ouvido de
cada pessoa, os protetores comercializados pelo
Centro Auditivo Telex são feitos em dois
modelos: o que diminui em 15 decibéis o
barulho ambiente e outro que reduz o ruído
em 25 decibéis.
A fonoaudióloga Isabela Gomes conclui
com um alerta importante. "A perda auditiva
induzida por ruído é cumulativa.
Qualquer dano à audição vai
se somando ao longo do tempo. Os efeitos podem
não ser sentidos e a percepção
do dano pode vir tarde demais. A exposição
frequente dos motoristas de carros conversíveis
a níveis acima de 88-90 decibéis,
conforme constatou o estudo, pode levar, com o
tempo, à perda permanente e irreversível
da audição."
O estudo do Worcestershire Royal Hospital foi
apresentado na conferência anual da Academia
Americana de Otorrinolaringologia, em San Diego,
na Califórnia, e publicado na revista científica
Otolaryngology-Head and Neck Surgery.