Chegar aos 100 anos será
cada vez mais comum
sexta-feira, 23/10/09 – 11h58
Médico diz que mudanças
no estilo de vida, na rotina de trabalho e na abordagem
clínica contribuem para viver mais e melhor
Estudo recentemente divulgado na publicação
científica The Lancet revela que metade da
população atual de bebês chegará
aos 100 anos – pelo menos os nascidos nos países
ricos. De acordo com Kaare Christensen, coordenadora
das pesquisas realizadas numa universidade da Dinamarca,
a expectativa de vida vem aumentando em ritmo acelerado
e exigindo que a sociedade se prepare para um novo
arranjo entre jovens e velhos.
Kaare diz que se o século 20 foi um período
de redistribuição de renda, o século
21 deverá promover a redistribuição
de trabalho. Uma das soluções propostas
é diminuir a carga horária de trabalho
semanal, aumentando o tempo de dedicação
ao lazer e à educação. Mas é
a abordagem nos tratamentos de pessoas com mais de
80 anos que deverá sofrer grandes mudanças.
“Com o envelhecimento da população
e os casais tendo cada vez menos filhos, não
só a ciência já se deu conta das
novas demandas que se apresentam, como outras esferas
da sociedade começam a introduzir mudanças
com base nessa realidade que se apresenta mesmo no
Brasil, onde a expectativa de vida também aumentou
consideravelmente nos últimos anos”,
diz o cardiologista Otávio Gebara, diretor
clínico do Hospital Santa Paula.
Gebara afirma que, além de insistir na prevenção
de doenças, a classe médica deverá
adotar novas abordagens nos próximos anos para
garantir que pacientes com mais de 80 anos possam
controlar problemas de saúde e ainda assim
ter uma boa qualidade de vida. “Independentemente
da idade e da expectativa de vida, a ciência
já se dá conta da importância
de se adotar algumas medidas que preservem o bem-estar
do paciente. Isso tem levado a grandes avanços
em termos de diagnóstico precoce de doenças
e a tratamentos mais assertivos também”.
Os vilões da terceira e quarta idades
De acordo com o doutor Otávio Gebara, o sedentarismo
é epidêmico na terceira idade, já
que aproximadamente 80% das pessoas com mais de 65
anos não praticam quaisquer exercícios
físicos, contribuindo de maneira significativa
para a obesidade. “O excesso de peso está
intimamente ligado à síndrome metabólica,
que é um conjunto de fatores de risco que pode
desencadear diversas doenças e abreviar a vida
do paciente”.
Hipertensão, altos níveis de açúcar,
colesterol e triglicerídeos no sangue... Todo
esse conjunto não parece estar somente diretamente
ligado a doenças do coração e
do cérebro, mas também ao aumento de
casos de câncer. “Via de regra, quem quer
viver mais e com saúde deve abandonar definitivamente
o cigarro, evitar o consumo excessivo de álcool,
combater o sedentarismo a todo custo, adotar uma dieta
rica em vegetais e pobre em açúcar e
sal. Isto sem falar na necessidade de manter alto
astral e o stress sob controle”, diz o especialista.
Fontes: http://news.yahoo.com/s/hsn/20091006/hl_hsn/halfofusbabieslivingtodaymayreach100
Doutor Otávio Gebara, médico cardiologista,
diretor clínico do Hospital Santa Paula, de
São Paulo (www.santapaula.com.br)
e coautor do livro “Coração de
Mulher”