quarta-feira, 21/10/09 – 14h55
Risco está associado à dilatação
da pupila provocada pela medicação e
à menor profundidade da câmara anterior
dos olhos.
Levantamento do Ministério da Saúde
aponta 43,3% dos brasileiros em idade adulta estão
acima do peso. Por conta disso, o País desponta
como o terceiro maior consumidor de inibidores de
apetite, sendo que a população feminina
responde por 92% deste consumo, segundo um levantamento
do CEBRID (Centro Brasileiro de Informações
sobre Drogas Psicotrópicas). Além dos
já conhecidos efeitos colaterais sobre o sistema
nervoso central e cardiovascular, o oftalmologista
do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz
Neto, ressalta que a dilatação da pupila
provocada por inibidores de apetite aumenta a chance
de surgir o glaucoma primário de ângulo
fechado (GPAF). Ele diz que a doença que apresenta
incidência de cegueira 2 vezes maior que o glaucoma
primário de ângulo aberto. O GAPF, observa,
é mais comum entre mulheres, asiáticos,
idosos e portadores de hipermetropia (dificuldade
de enxergar de perto). Isso porque, explica, nestes
grupos a câmara anterior dos olhos pode ter
menor profundidade e a dilatação da
pupila induz ao fechamento do ângulo iridocorneano
(entre a íris - parte colorida do olho - e
a córnea), levando ao aumento súbito
da pressão intra-ocular que caracteriza a doença.
Queiroz Neto afirma que a evolução do
GPAF é rápida e apesar de os casos relacionados
ao uso de inibidores de apetite ser pouco frequente,
deve ser feita uma avaliação completa
da câmara anterior antes da ingestão
deste tipo de medicamento. Isso porque, a identificação
e tratamento do fechamento angular iridocorneano previne
a evolução da doença. A avaliação,
comenta, hoje é feita com a utilização
do OCT, tecnologia análoga ao ultrassom que
permite a obtenção de imagens de toda
a câmara anterior em duas dimensões.
Quem é portador de GPAF, ressalta, só
percebe a alteração ocular em crises
agudas cujos sinais são:
• Dor intensa no globo ocular e região
periocular
• Diminuição acentuada da acuidade
visual
• Halos coloridos ao redor das lâmpadas
• Náuseas e vômitos.
O especialista explica que esta crise é marcada
pela elevação acentuada da pressão
intra-ocular, perda súbita da visão,
morte de células do cristalino que facilitam
a formação de opacidades subcapsulares,
escavação do disco óptico, congestão
venosa e hemorragia que reduzem permanentemente a
acuidade visual. Trata-se de uma emergência
médica e o tratamento clínico imediato
é feito com colírios que induzem à
constrição pupilar, betabloqueadores
para diminuir a produção do humor aquoso,
e corticóide tópico que reduz a reação
inflamatória aguda.
Além dos inibidores de apetite, comenta, medicamentos
utilizados no tratamento de gripes e resfriados que
contêm atropina, também podem induzir
a crises agudas do glaucoma de ângulo fechado.
Por isso, o FDA (Food and Drug Administration), agência
reguladora de medicamentos dos EUA, exige que toda
medicação que induza à dilatação
da pupila contenha uma advertência na embalagem.
O risco de complicações só existe
entre pessoas com ângulo estreito da câmara
ocular que não recebem tratamento adequado.
O brasileiro, comenta, ainda acredita que o consumo
de medicamentos é o caminho mais fácil
para ter boa saúde, mas em muitos casos pode
significar o surgimento de doenças que comprometem
a qualidade de vida.