Dia de luto contra os planos de
saúde
segunda-feira, 30/08/09 - 17h30
Seis mil ginecologistas e obstetras protestam de
jaleco preto, em 3 de setembro, durante o XV Congresso
Paulista, no Expo Center Transamérica
A cena é inusitada. Durante o XV Congresso
Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, os cerca
de 6.000 tocoginecologistas trocarão as vestes
brancas, tradicionais aos médicos, por jalecos
pretos. O luto é um sinal de protesto contra
os planos de saúde tanto pelos honorários
indignos quanto pela interferência no exercício
da boa medicina.
Segundo César Eduardo Fernandes, presidente
da Associação de Obstetrícia
e Ginecologia do Estado de São Paulo, SOGESP,
essa é mais uma etapa da campanha iniciada
em maio pela valorização profissional.
Existe descontentamento generalizado entre os especialistas,
alimentando o sentimento de que, a continuar a situação
como está, logo não haverá mais
profissional disposto a trabalhar na saúde
suplementar.
“A dignidade do tocoginecologista está
gravemente comprometida pelo aviltamento dos valores
pagos pelas consultas e procedimentos realizados pelos
planos e operadoras de saúde”, afirma
Fernandes.
Focos importantes
Um dos focos da ação é a valorização
do tocoginecologista de São Paulo; o outro,
a qualificação da assistência
à mulher. Os honorários vis pagos aos
médicos por certos planos e operadoras de saúde
têm sido denunciados sistematicamente, assim
como a falta de prioridade com que as pacientes são
tratadas pelas empresas.
Atualmente, há planos que pagam R$ 200,00
(bruto) ou menos por um parto. Só para ter
uma idéia, a filmagem do parto custa em regra
cinco vezes mais do que os médicos recebem
para colocar uma vida no mundo e cuidar de outra vida
preciosa: a da mãe. As consultas ficam na média
dos R$ 25,00 (bruto), chegando a algo em torno de
R$ 5,00 (líquido), conforme recente estudo
da Associação Paulista de Medicina.
De acordo com a coordenadora da Comissão de
Honorários da SOGESP, Maria Rita de Souza Mesquita,
atualmente existe um consenso por parte de ginecologistas
e obstetras de que o exercício da especialidade
no estado de São Paulo está tornando-se
inviável. Aliás, na residência
médica já se percebe claramente o fenômeno
do desaparecimento dos obstetras. A remuneração
vil é, sem dúvida, o motivo da falta
de interesse.