Como enfrentar e vencer a doença
aterosclerótica
sexta-feira,12/03/10 - 08h45
A aterosclerose leva a doenças que estão
entre as principais causas de morbidade e mortalidade
no Brasil e no mundo. Freqüentemente sua manifestação
atinge uma população em faixa etária
produtiva e teoricamente ainda com longa expectativa
de vida, notadamente na faixa dos 45/50 anos. Contudo,
seu aparecimento e desenvolvimento acontecem bem antes
do surgimento dos primeiros sintomas clínicos.
Atualmente, acredita-se fortemente que um processo
inflamatório na parede do vaso, iniciado por
vezes precocemente, é o gatilho inicial de
formação da doença aterosclerótica,
que progride ao longo dos anos, culminando em um evento
cardiovascular dramático e, muitas vezes, fatal,
como infarto do miocárdio ou acidente vascular
cerebral.
Tabagismo, sedentarismo, estresse emocional e obesidade
estão entre os fatores de risco envolvidos
na gênese deste processo. Entretanto, acredita-se
que os principais fatores envolvidos são a
presença de hipertensão arterial sistêmica,
principalmente se não tratada, dislipidemia
(em especial o alto nível de LDL colesterol,
chamado colesterol ruim) e diabetes mellitus não
controlado.
Estes fatores são os que podemos chamar de
mutáveis, pois através da intervenção
médica, bem como da indispensável participação
do paciente, pode-se prevenir a evolução
e o desfecho desfavorável que muitas vezes
tem a doença aterosclerótica. Vale registrar
que há alguns indivíduos que nascem
com propensão maior de desenvolver aterosclerose
precocemente devido a complicadores como o alto nível
da taxa de colesterol, o que pode levar a um evento
cardíaco precoce.
Fatores imutáveis também têm
relação importante com a doença
ateroscletórica, entre eles, a herança
genética. Os homens apresentam o problema mais
cedo antes ou por volta dos 50 anos, enquanto nas
mulheres a incidência ocorre em torno dos 60
anos. Com o avançar da idade, o risco aumente
de forma considerável, mas há maneiras
de minimizá-los.
"Não é possível intervir
nos riscos imutáveis, mas nos mutáveis,
sim. Para tanto são fundamentais hábitos
de vida saudáveis, como abandono do tabagismo,
dieta preferencialmente rica em frutas, verduras,
legumes e pobre em gorduras saturadas e sal, controle
do peso corpóreo, prática regular de
exercícios, diminuição dos níveis
de estresse, uso moderado de álcool, bem como
visitas regulares ao médico para controle dos
níveis de pressão arterial, diabetes
e colesterol”, afirma o dr. José César
Briganti, vice-presidente da Regional São Carlos
da Sociedade de Cardiologia do estado de São
Paulo, a SOCESP. “Aliás, as mudanças
no estilo de vida e uso de medicações,
quando necessário, são nossos aliados
para prevenir e combater a evolução
natural desta doença".
Dr. Briganti diz que é fundamental que as
pessoas dêem atenção máxima
à saúde do coração. Entre
as medidas preventivas, ressalta que é salutar
uma consulta ao especialista para a análise
de antecedentes familiares, ou seja, se parentes de
1°grau já sofreram doenças cardiovasculares.
É aconselhável também que os
mais jovens façam uma primeira consulta com
um cardiologista por volta dos 21 anos, para ter um
quadro geral de sua saúde cardíaca.
Se tudo estiver e persistir bem, só terá
de retornar por volta dos 40 anos para nova orientação
médica.
Já para os casos de suspeita iminente, o dr.
Briganti orienta: “É importante que o
indivíduo que se imaginar tendo um infarto
do miocárdio procure imediatamente um socorro
medico, pois o tempo, nesta situação,
vale a vida”.