Ar seco aumenta doenças oculares
quinta-feira, 02/09/10 - 15h52
Maior ressecamento da lágrima predispõe
à alergia, conjuntivite e pode causar cicatrizes
na córnea. Usar soro fisiológico agrava
o problema.
A baixa umidade do ar está lotando os consultórios
de pacientes com olhos vermelhos, lacrimejamento,
coceira, sensação de corpo estranho,
queimação, fotofobia e visão
borrada. De acordo com o oftalmologista do Instituto
Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, 2 em cada
10 pacientes atendidos nas últimas semanas
apresentam estes sintomas. É a síndrome
do olho seco decorrente da maior evaporação
da camada aquosa do filme lacrimal, explica.
Mulheres na menopausa, idosos, quem trabalha muitas
horas no computador, portadores de doenças
auto-imunes, usuários de lente de contato ou
alguns medicamentos (antialérgico, antidepressivo,
diurético, entre outros) são mais propensos
à síndrome.
O especialista diz que sem tratamento logo no início
do desconforto, a disfunção predispõe
à alergia e conjuntivite. Isso porque, a lágrima
tem a função de proteger os olhos das
agressões ambientais. Um erro comum cometido
pela população é pingar soro
fisiológico nos olhos para diminuir o ressecamento.
“O sal do soro aumenta a irritação.
Além disso, a solução não
contém conservante e depois de aberta se transforma
em campo fértil para o crescimento de bactérias
e fungos que contaminam a córnea e conjuntiva”,
afirma.
Dicas de prevenção
As dicas do médico para prevenir o ressecamento
da lágrima são:
· Beber água com frequência.
· Incluir na alimentação frutas
verduras e legumes ricos em vitamina A e E.
· Colocar vasilhas com água nos ambientes.
· Suplementação de ômega
3 encontrado em nozes, semente de linhaça,
salmão e sardinha.
· Evitar ambientes com ar condicionado.
· Manter os ambientes livres de poeira.
· Desviar os olhos da tela do monitor por
5 a 10 minutos a cada hora.
· Piscar voluntariamente quando usar o computador.
· Proteger os olhos com óculos apropriados
nas atividades externas.
Automedicação é perigosa
Queiroz Neto alerta que nenhum colírio deve
ser usado sem acompanhamento médico para evitar
complicações. Os sintomas do olho seco
são muito parecidos com os da alergia ocular
e conjuntivite, comenta. Já os tratamentos,
são bastante diferentes e em alguns casos as
doenças ocorrem simultaneamente. “Usar
colírio antibiótico indicado para conjuntivite
bacteriana em olhos com alergia piora o processo alérgico
que está relacionado à queda da imunidade”,
exemplifica. O especialista diz que o melhor tratamento
para olho seco é a lágrima artificial
associada à suplementação de
Ômega 3. Em estágio intermediário,
explica, pode ocorre a inflamação da
glândula lacrimal e o tratamento é feito
com colírio à base de ciclosporina por
um período de seis meses. Nos mais avançados
o ponto lacrimal é cauterizado para manter
a lágrima nos olhos.
A doença só não é grave
em estágio inicial. Por isso, a recomendação
do médico é procurar um oftalmologista
nos primeiros sintomas de desconforto. Isso porque
a falta de tratamento adequado pode causar cicatrizes
na córnea e comprometer severamente a visão.