Está na hora de os países
demonstrarem que é sério seu compromisso
com o combate às mudanças climáticas
sexta-feira, 29/01/10 - 17h37
Domingo, dia em que finaliza o prazo
para os países colocarem no Acordo de Copenhague
as metas e detalhes de seus programas de redução
de emissões, é a oportunidade para que
as nações que pressionam por um acordo
do clima demonstrem que estão falando sério
sobre essa questão, declarou a Rede WWF.
“O Acordo de Copenhague estabelece, atualmente,
um objetivo consensual: manter o aquecimento global
abaixo do limiar de perigo de dois graus centígrados”,
disse Kim Carstensen, líder da Iniciativa Global
do Clima da Rede WWF.
“Domingo (31) termina o prazo auto-imposto
pelos países para colocar no papel o que eles
irão realmente fazer para manter o mundo fora
desse nível de perigo.”
Para a grande maioria dos países, disse Cartensen,
isso significa aumentar consideravelmente os compromissos
por eles assumidos até agora.
“As reduções de emissões
colocadas na mesa em Copenhague estavam claramente
nos encaminhando a um aumento no aquecimento global
de três graus centígrados ou mais, mesmo
sem levar em conta os muitos e grandes furos decorrentes
de alegações dúbias sobre reduções
de emissões e de contabilidade duplicada para
estas reduções,” afirmou Carstensen.
As metas para as nações desenvolvidas
que o WWF busca devem se aproximar, até 2020,
do limite superior da faixa de 25 a 40% de reduções
das emissões, com relação aos
níveis de 1990. Em Copenhague, somente a Noruega
alcançou esse nível ambicioso, com uma
meta de 40% de redução. O Japão
anunciou uma meta de menos 25% no Acordo, o que não
está tão longe assim do nível
desejado, enquanto a Austrália decepcionou,
esta semana, ao anunciar sua intenção
de manter sua meta de 5% de redução.
“Quanto às nações desenvolvidas
que fizeram o máximo para forçar o Acordo
de Copenhague, receamos que ainda exista um grande
descompasso entre seu objetivo de manter o mundo longe
do perigo climático e as medidas que elas estão
preparadas para adotar a fim de realmente atingirem
essa meta”, disse Carstensen.
As principais economias emergentes – o Grupo
BASIC composto pelo Brasil, África do Sul,
Índia e China – anunciaram, no final
de semana passado, sua intenção de cumprir
o prazo de 31 de janeiro e com os programas de mitigação
voluntária no âmbito do Acordo.
“Tal atitude desse grupo dos principais países
em desenvolvimento é de grande ajuda. Nossa
expectativa é de que eles irão anunciar
um nível elevado de ambição e
tomar providências urgentes, apresentando planos
nacionais de ação bem claros para alcançar
esse patamar”, disse Carstensen.
O coordenador do Programa Mudanças Climáticas
e Energia do WWF-Brasil, Carlos Rittl, destacou que
a organização, no Brasil, espera que
o Governo Federal informe ao secretariado da Convenção
do Clima, até o final do mês, suas ações
de mitigação e suas metas, como prometido
em Nova Délhi, Índia, no dia 24 último,
em declaração conjunta dos ministros
participantes da reunião do BASIC.
“Precisamos de máxima transparência
sobre os números, sobre os cálculos
e projeções feitas pelo governo. É
necessário um plano muito eficiente para atingir
tais metas e mesmo ir além. Este plano deve
ser o nosso atual Plano Nacional de Mudanças
Climáticas revisado e detalhado como um verdadeiro
plano de ação de baixo carbono”,
disse Rittl.
Segundo ele, o plano deve definir mecanismos, medidas
e ações que serão desenvolvidas
para que o Brasil reduza suas emissões. “Assim,
será possível que todos os setores de
nossa sociedade trabalhem de forma coordenada com
os Governos Federal, estaduais e municipais, em ações
efetivas para contribuirmos com os esforços
globais de combate às mudanças climáticas”,
acrescentou Carlos Rittl.
A Rede WWF distribuiu documento intitulado “O
Acordo de Copenhague: um primeiro passo?”, que
faz uma análise de como o mundo pode iniciar
essa jornada que parte do acordo político obtido
em Copenhague para chegar a um tratado internacional
do clima com obrigações legais, um objetivo
a ser alcançado em dezembro próximo
na Cidade do México. A rede ambientalista mundial
disse, ainda, que continua esperando pelos anúncios
de ajuda financeira no Acordo, pois isso é
urgente para auxiliar os países em desenvolvimento
a prevenir e enfrentar as mudanças climáticas.
“O público está consciente de
que o mundo falhou em Copenhague e não fez
o que era preciso fazer,” disse Carstensen.
Ele concluiu: “No entanto, o problema das mudanças
climáticas não vai desaparecer. Ele
vai piorar. E o custo de lidar com esse problema vai
aumentar na medida em atrasarmos as providências
efetivas a serem tomadas”, concluiu.
Fonte: www.wwf.org.br