Plásticos são sustentáveis,
só depende de nós
terça-feira, 19/01/10 - 17h55
por Francisco de Assis Esmeraldo
Insuflado
por um ecomarketing desprovido de seriedade e sem
compromisso com o rigor técnico, o debate sobre
a correta utilização de sacolas plásticas
assumiu um caráter emocional. Ficou distante
até da boa intenção dos ambientalistas
que o iniciaram, pensando ingenuamente que banindo
os sacos plásticos contribuiriam para a preservação
ambiental.
Esta fuga da racionalidade agravou-se
depois de alguns governos estaduais e municipais tentarem
obrigar o varejo a substituir as sacolinhas por sacolas
oxidegradáveis, incorretamente denominados
de oxibiodegradáveis. Não sabiam que
os oxidegradáveis são danosos ao meio
ambiente, por não serem passíveis de
reciclagem mecânica e se converterem em um pó
que poderá ser ingerido pela fauna e contaminar
os cursos d’água, comprometendo a qualidade
de vida das gerações futuras.
O fato é que as sacolas plásticas
tornaram-se indispensáveis à vida moderna.
Práticas, econômicas, higiênicas,
inertes, reutilizáveis e 100% recicláveis,
as sacolinhas vieram para ficar. Pesquisa feita pelo
Ibope comprovou que 100% dos consumidores reutilizam
as sacolinhas para acondicionar o lixo doméstico
e 71% as consideram a forma ideal de transportar as
compras.
Entretanto, dois fatores contribuíram
para prejudicar essa percepção positiva.
O mercado foi abastecido por sacolinhas que não
atendem à qualidade mínima exigida pela
Norma Técnica ABNT 14.937. Isso obrigou os
consumidores a colocarem um saco dentro do outro para
carregar produtos mais pesados, ou usarem somente
pela metade gerando desperdício. Outro fato
foi o descarte incorreto das sacolas, principalmente
em bairros desprovidos de coleta de lixo. Abandonados
em sarjetas ou córregos d’água,
esses sacos tornaram-se a parte visível de
uma poluição causada pela falta de educação
ambiental de boa parte da população
e a ausência de coleta de lixo e de coleta seletiva.
Com base nesse diagnóstico,
a indústria em parceria com o varejo lançou
em 2007 o Programa de Qualidade e Consumo Responsável
das Sacolas Plásticas. O programa é
baseado no princípio dos 3 R’s –
Reduzir o desperdício, Reutilizar e Reciclar.
No Programa, a distribuição de sacolas
certificadas e a educação da população
para usar integralmente a capacidade dessas embalagens
otimizou sua utilização e gerou redução
no consumo da ordem de 30% nas redes de supermercado
envolvidas.
As sacolas também são
sinônimo de energia. Mais de 30 países
já adotaram a Reciclagem Energética
para resolver a questão do lixo urbano e reaproveitar
as sacolas. No mundo já são 850 usinas
que transformam 150 milhões de toneladas de
lixo por ano em energia, por meio de processamento
não-poluente, no qual os plásticos são
o combustível. Os resíduos gerados por
uma cidade com 180 mil habitantes podem produzir energia
suficiente para 56 mil pessoas. A Reciclagem Energética
está prevista na Lei Estadual de Resíduos
Sólidos do Estado de São Paulo e foi
incorporada no projeto da Política Nacional
de Resíduos Sólidos e o Brasil estuda
sua viabilidade.
Desta forma, estamos reintroduzindo
a racionalidade no debate, com a mensagem de que os
plásticos são, além de indispensáveis
na vida moderna, totalmente sustentáveis. Só
depende de nós aplicarmos os 3 R’s na
sua utilização.
Francisco de Assis Esmeraldo é engº químico,
presidente da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental
dos Plásticos, membro do Conselho Superior
de Meio Ambiente da FIESP, do Conselho Empresarial
de Meio Ambiente da FIRJAN (RJ) e do Conselho Executivo
da Associação Brasileira de Embalagens
(ABRE).
Francisco de Assis Esmeraldo é
Presidente da Plastivida