quinta-feira, 02/07/09 - 18h50
Inpe divulgará este ano dados do novo sistema
de vigilância para a exploração
seletiva de madeira. Assunto será abordado
na 61ª Reunião da SBPC.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
começará a divulgar, ainda este ano,
os dados do Detex (Detecção de Exploração
Seletiva) – novo sistema de monitoramento por
satélite que promete ser uma ferramenta valiosa
para vigiar as áreas florestais concedidas
para exploração seletiva de madeira,
mostrando se, de fato, os madeireiros estão
respeitando os planos de manejo aprovados pelo governo.
“O sistema está pronto e já
temos resultados, mas ainda não foram divulgados.
Nós fizemos o mapeamento da extensão
da floresta desmatada para o corte seletivo de madeira
de 2007 a 2008. O objetivo, agora, é fazer
o de 2009 e retroceder até 2000”, conta
o pesquisador do Dalton de Morisson Valeriano, do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Ele abordará esse assunto em uma conferência
durante a 61ª Reunião Anual da SBPC –
evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso
da Ciência (SBPC) promoverá de 12 a 17
de julho em Manaus (AM).
O Detex é o terceiro sistema utilizado pelo
Inpe para monitorar o desflorestamento na Amazônia.
Seu diferencial é a observação
detalhada de extensões menores, o que possibilita
fazer o acompanhamento das atividades das madeireiras
no que se refere à exploração
seletiva de madeira, na qual são cortadas apenas
as árvores de valor comercial. “Em tese,
o corte seletivo, inserido em um bom plano de manejo,
possibilitaria recuperar a longo prazo a biomassa
florestal na área explorada. Mas nem sempre
isso vem ocorrendo”, diz.
De acordo com o pesquisador, se bem conduzido, um
plano de manejo legal de madeira por corte seletivo
de árvores possibilita que a área se
recupere e possa ser novamente explorada após
um ciclo de 25 a 30 anos. “Porém, o que
está ocorrendo na Amazônia e em outras
regiões do País é que, depois
de serem exploradas pelos madeireiros, essas áreas
de manejo são abandonadas, tornando-se suscetíveis
a incêndios florestais”, diz ele, acrescentando
que essa degradação é bem evidenciada
pelas imagens produzidas pelos satélites.
Sistemas complementares – O Detex é
complementar aos sistemas de monitoramento remoto
da Amazônia Legal que vêm sendo operados
pelo Inpe desde 1988. Sua resolução
espacial é de de 20 metros, o que possibilita
visualizar pátios para o armazenamento de toras
e até picadas na floresta. Já o Prodes
(Programa de Cálculo de Deflorestamento da
Amazônia), cuja resolução espacial
é de 30 metros, detecta apenas cortes rasos,
em áreas superiores a 6,25 hectares. O Deter
(Detecção de Desmatamento em Tempo Real),
por sua vez, possui resolução espacial
de 250 metros e mapeia sem distinção
tanto áreas de corte raso como áreas
em processo de desmatamento por degradação
florestal. Apesar de serem complementares, todos têm
uma limitação: seus sensores óticos
nem sempre conseguem identificar o desmatamento através
das nuvens.
Em função disso, a chance de se conseguir
uma cobertura mensal das áreas monitoradas,
principalmente em período de chuva, é
muito difícil. “Temos uma janela de observação
que é o período seco, que vai de maio
a outubro. Porém, quando há nuvens,
é possível apenas projetar o desmatamento
porque não conseguimos identificar toda a área
desmatada”, explica Valeriano. É por
esse motivo que os dados coletados por esses sistemas
acabam compilados em bases de dados anuais, a exemplo
do Proder e do Detex. A exceção fica
por conta do Deter, que é mensal, mas tem a
limitação de fazer um mapeamento “grosseiro”
da área monitorada.
Novas tecnologias – O pesquisador afirma que
a única maneira de contornar esse problema
é utilizar radares imageadores, em vez de sensores
óticos. Para driblar essa limitação,
o Inpe utiliza o radar Palsar, acoplado no satélite
japonês Alos, para ter acesso gratuito às
imagens de regiões cobertas por nuvens e até
noturnas com uma faixa de observação
que varia de 250 a 350 km. Atualmente, o satélite
produz imagens em um intervalo de 45 dias. Mas de
acordo com Valeriano, em breve será possível
ter acesso a imagens após seis dias da passagem
do satélite pela região monitorada.
“Nós já fizemos testes com os
dados que recebemos desse satélite e avaliamos
que é muito promissor para detectar novos desmatamentos
e suprir a limitação dos demais sistemas
no período chuvoso”, finaliza.
Serviço: A palestra “Sistemas de monitoramento
remoto da Amazônia Legal” do pesquisador
Dalton de Morisson Valeriano, será realizada
no dia 16 de julho, às 10h30, durante a 61ª
Reunião Anual da SBPC. O evento, cujo tema
é “Amazônia: Ciência e Cultura”,
acontece a partir do dia 12 em Manaus (AM), no campus
da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Serão
realizadas 175 atividades, entre conferências,
simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho,
encontros e sessões especiais, além
de apresentação de trabalhos científicos
e minicursos. Veja a programação em
www.sbpcnet.org.br/manaus.