quinta-feira, 02/07/09 - 15h23
por Valdir Raupp de Matos
O presidente Lula fez um comentário que representa
a opinião de centenas e centenas de famílias
de pioneiros que colonizaram, nos anos setenta e oitenta,
a porção leste da floresta amazônica,
em especial os estados do Mato Grosso e Rondônia.
Em discurso para produtores rurais do Mato Grosso,
saiu em defesa dos pioneiros, que derrubaram árvores,
abriram estradas e construíram cidades, incentivados
pela política do governo da época, que
tinha por lema “Integrar para não entregar”.
Lula lembrou que essas famílias realmente trabalharam
muito duro, e depois sabiamente comentou que hoje
o momento é outro, e que “desmatar vai
contra a gente, e vai nos prejudicar no futuro”.
Sei muito bem o que enfrentaram essas pessoas. Venho
de uma família de agricultores catarinenses
e participei desse processo migratório. Da
mesma forma que vivi o processo de colonização
dessas terras, compreendo e defendo a importância
de se proteger a floresta para as próximas
gerações.
Por entender essa necessidade, como senador da República
pelo estado de Rondônia, apresentei em setembro
de 2008 um projeto de lei (PLS 342/08) em que defendo
uma política de “Desmatamento Zero”,
válida pelos próximos dez anos. A íntegra
desse projeto é de domínio público
e seu acesso está disponível na página
do Senado Federal.
Creio que é possível atingir esse objetivo,
desde que haja incentivos reais para os produtores.
Com a quantidade de terras já desmatadas na
região, acredito que é perfeitamente
viável produzir e lucrar a partir das novas
tecnologias disponíveis, sem precisar derrubar
mais nenhuma árvore.
O projeto já recebeu o apoio das entidades
representativas dos pecuaristas e do agronegócio
de Rondônia e de outros estados da região
amazônica. Entendem estes produtores que o desmatamento
não é a opção desejada,
porém, falta apoio concreto do governo para
que essas propostas sejam economicamente viáveis.
O presidente Lula já manifestou claramente
sua posição sobre a importância
de se evitar as queimadas e a derrubada das florestas,
principalmente agora, em que vivemos a estação
de seca amazônica. Quem mora em nossa região
sabe que, de maio a novembro, ocorre a maior parte
das derrubadas, em virtude do clima.
Portanto, acredito que devemos imediatamente aprofundar
a discussão no Congresso Nacional e junto a
toda a sociedade brasileira sobre o projeto do “Desmatamento
Zero”. Afirmo que será mais produtivo
falarmos sobre uma proposta que já está
tramitando e que reúne tratativas que, de uma
forma ou de outra, vão ao encontro do que pensam
tanto os representantes do agronegócio quanto
os ambientalistas, que com razão defendem o
fim do desmatamento.
A Amazônia hoje é prioridade nacional.
Vamos dar condições de trabalho e renda
para quem produz e teremos os melhores guardiões
de nossas florestas. Sem hipocrisia, sem discursos
vazios, mas com propostas concretas e vontade política,
teremos plenas condições de resolver
essa questão. E para as pessoas que estiverem
de acordo com minhas propostas, peço que coloquem
sua assinatura em nossa página na internet
e colaborem para a aprovação dessas
premissas, pelo bem da Amazônia e do Brasil.
Valdir Raupp de Matos é senador da República
(PMDB/RO)