quarta-feira, 01/07/09 - 14h45
O Sistema de Proteção da Amazônia
(Sipam), vinculado à Casa Civil da Presidência
da República, está coletando semanalmente
dados sobre a turbidez do rio Madeira. O objetivo
é monitorar os possíveis impactos que
a construção das hidrelétricas
de Santo Antônio e Jirau possam trazer ao ecossistema
do rio. Analisar a turbidez significa medir a resistência
da água à passagem da luz e, assim,
identificar a quantidade de sedimentos suspensos.
Tais sedimentos são tão importantes
para o rio que foram um dos principais itens debatidos
desde os projetos das usinas. Isso porque o Madeira
transporta muitos sedimentos vindos dos Andes e que
acabam sendo responsáveis por quase 50% da
turbidez das águas na foz do rio Amazonas.
Técnicos e ambientalistas questionaram se
o imenso volume de sedimentos poderia acabar retido
nos reservatórios, num processo de decantação
que impediria a passagem de água pelas turbinas
e aumentaria a área alagada. Segundo Ana Cristina
Strava, coordenadora de operações do
Centro Regional do Sipam de Porto Velho, os sedimentos
também são importantes para a sobrevivência
de espécies no rio. "Sedimentos em suspensão
transportam a alimentação dos peixes,
portanto, alterações podem afetar o
equilíbrio da ictiofauna", explica.
A simples presença das barragens já
poderia trazer impactos, já que somente um
rio com energia, ou seja, com águas correndo,
pode carregar partículas. Entretanto, o estudo
de impactos ambientais prevê que alterações
ocorram somente no início e aposta que após
um período de tempo haverá a recomposição
do rio, a níveis iguais aos de hoje.
Trabalho interinstitucional
Para analisar essas alterações, o Sipam
iniciou a coleta dados utilizando sonda cedida pela
Agência Nacional de Águas (ANA). Conectado
ao computador, o equipamento transmite os índices
de turbidez, que são registrados por acadêmicos
de engenharia da Faculdade de Ciências Humanas,
Exatas e Letras de Rondônia (FARO). "Gosto
da área e tenho satisfação em
contribuir para análise do impacto das usinas
a longo prazo", diz o estudante Felipe Archanjo.
Os primeiros resultados, referentes à cheia,
foram objeto de estudo do aluno Matheus Moura, que
aponta que a turbidez triplicou entre novembro e dezembro
e se manteve nesse nível até inicio
de março. O projeto, já aprovado pela
Agência Nacional de Energia Elétrica
(ANEEL), pretende gerar informações
por cerca de cinco anos, comparando os índices
no decorrer do tempo.

Foto Sipam: Ana Cristina Strava, coordenadora de
operações do Sipam, realiza coleta de
dados no Rio Madeira (terminal portuário de
Porto Velho).