Ação do Greenpeace
em Brasília cobra justiça para ativistas
em julgamento
terça-feira, 09/03/10 - 16h20
Greenpeace protestou em frente à
embaixada do Japão em favor de Junichi Sato
e Toru Suzuki, ativistas que sofrem julgamento abusivo
por denunciarem esquema de contrabando e venda ilegal
de carne de baleia. Se condenados, os dois, conhecidos
internacionalmente como ‘Tokyo Two’, podem
pegar até dez anos de cadeia. As duas últimas
sessões do processo foram marcadas por mentiras
e incongruências nos depoimentos.
Kumi Naidoo, atual diretor executivo
do Greenpeace, esteve presente no protesto, que levou
para frente da casa oficial uma baleia acorrentada.
Ele entregou uma carta à equipe da embaixada
com pedido de justiça. Em maio de 2008, os
dois ativistas japoneses investigaram esquema de corrupção
e contrabando envolvendo o programa baleeiro japonês.
Em desrespeito à Moratória da Caça
Comercial de Baleias, estipulada internacionalmente
em 1982, o Japão segue caçando sob o
argumento de pesquisa científica e pratica
o comércio ilegal da carne.
Além de usar dinheiro público para
financiar a matança no Santuário de
Baleias do Oceano Antártico, o programa envolvia
uma rede ilegal de venda de sua carne. Como prova,
Junichi e Toru interceptaram uma caixa do produto
de um navio baleeiro e entregaram ao Ministério
Público japonês. A denúncia foi
distorcida e rendeu-lhes um processo por roubo e invasão
de propriedade.
No mesmo dia em que foram presos – tendo permanecido
23 dias na cadeia sem direito a julgamento –
o Ministério Público arquivou a investigação
de contrabando feita pelo Greenpeace. Desde então,
o Japão é palco de um processo recheado
de contradições e criticado por organizações
como a Anistia Internacional e o Centro de Direitos
Humanos da ONU.
O julgamento, que teve início dia 15 de fevereiro,
vem sendo marcado por depoimentos desencontrados.
A empresa dona da frota de navios, Kyodo Senpaku,
de onde a carga foi interceptada, chegou a afirmar
que a carne de baleia não era distribuída
pelos funcionários do navio. Em uma segunda
versão, disse que apenas as partes ‘menos
nobres’ eram presenteadas. Na sessão
de ontem, testemunha assumiu que a tripulação
recebia carne de baleias bebês, mais macias
e com alto valor de venda no mercado.
Hoje, no terceiro dia de julgamento, novas mentiras
no ventilador. Funcionário aposentado do navio
que colaborou com Junichi e Toru na investigação
contou ao júri saber que carne de baleia era
entregue como ‘souvenir’ a parlamentares
japoneses e oficiais da Agência de Pesca do
Governo. E o que é pior: os próprios
membros da Instituto de Pesquisa de Cetáceos,
orgão responsável por regular a pesquisa,
levavam para casa grandes quantidades de valiosos
cortes da cauda do animal, alegando fins científicos.
A testemunha, que prestou depoimento sem identificar
nome e rosto temendo represálias, afirmou também
ter sido coagido pela polícia de Tóquio
a negar ter presenciado, ou participado, de contrabando
dentro do navio.
“Logo no primeiro dia, ficou claro que o julgamento
é uma tentativa de manter a mentira em torno
da caça ilegal de baleia praticada pela indústria
pesqueira japonesa”, diz Leandra Gonçalves,
coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace.
As próximas sessões acontecem em maio
e o veredicto está previsto para junho.
Desde a prisão de Junichi e Toru, em junho
de 2008, mais de 250 mil pessoas no mundo já
assinaram uma petição online cobrando
justiça para os ‘Tokyo Two’.
Fonte: Greenpeace