Fiscais do ICMBio são ameaçados
durante operação no Amazonas
sexta-feira, 12/03/10 - 20h07
Ainda é tenso o clima em Lábrea,
no Amazonas. Na quarta (10), políticos e madeireiros,
com o apoio de populares mobilizados pela Prefeitura
e outras autoridades do Estado, impediram que uma
equipe de fiscalização do Instituto
Chico Mendes desse sequência à Operação
Matrinxã. A operação, feita a
partir de denúncias de moradores da cidade,
visava averiguar a extração ilegal de
madeira da Reserva Extrativista Médio Purus
para abastecer serrarias e movelarias do município
e coibir a retirada de areia das margens do rio Purus
para obras do governo estadual.
A movimentação popular, convocada pela
Prefeitura, teve início às 7h e ocupou
a área em frente ao hotel onde se hospedam
os servidores do Instituto Chico Mendes. Com carro
de som em alto volume e faixas com apelo de “paz”,
membros do poder público municipal incitavam
a população contra os servidores do
ICMBio, que residem do outro lado da rua em frente
ao hotel e trabalham na Resex Médio Purus.
Durante todo o dia, os fiscais ficaram isolados dentro
do hotel, com policiamento na porta, enquanto os representantes
do movimento discursavam ao microfone convocando a
população de Lábrea para se unir
contra “a ação arbitrária
da fiscalização”. Eles diziam
que a cidade estava sofrendo “as consequências
da criação de duas reservas extrativistas”
e que os donos de serrarias não tinham que
ser multados por “esse bando de forasteiros”.
SECRETÁRIA – Também
gritavam que os fiscais estavam “invadindo as
casas, agredindo e humilhando as pessoas”, que
Lábrea não é a “casa da
mãe Joana” e que eles iam mobilizar o
Poder Público estadual para neutralizar a ação
do ICMBio no município. Afirmavam também
que a secretária estadual de Meio Ambiente,
Nádia Ferreira, estava a caminho com a comitiva
do Estado para apoiar a manifestação.
Assim que a secretária chegou, acompanhada
de um deputado estadual, um comandante de Polícia,
o presidente do Instituto de Pesquisas Ambientais
do Amazonas e outros membros do poder público
que não se identificaram, foi direto para a
casa de uma servidora do ICMBio e exigiu dela que
participasse da reunião com representantes
das instituições locais e empresários
moveleiros, para explicar a ação de
fiscalização em andamento. A servidora
disse que não havia condições
de segurança para participar da reunião.
Com o clima cada vez mais tenso e sob proteção
policial, os servidores do ICMBio foram retirados
e escoltados até o aeroporto, enquanto a secretária,
segundo apuraram os fiscais, ameaçava na reunião
que nunca mais aquelas pessoas colocariam os pés
em Lábrea.
O presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo
Mello, autarquia vinculada ao Ministério do
Meio Ambiente que administra as unidades de conservação
federais, considera lamentável que, no Estado
brasileiro, em pleno Terceiro Milênio, se tenha
esse tipo de comportamento. Ele informou que enviou
ofício ao governador do Amazonas, informando
dos fatos e avisando que serão tomadas medidas
para garantir o trabalho e a segurança dos
servidores.