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Interior do Maranhão recebe serviços de georreferenciamento

quarta-feira, 10/03/10 - 09h05

No núcleo urbano do município de Governador Edison Lobão (MA), ninguém possui título de propriedade. Porém, até o mês de abril deste ano, mais de seis mil moradores serão beneficiados pelo Terra Legal Amazônia com a doação da área urbana para a prefeitura. Com o domínio da propriedade, o município poderá regularizar os lotes dos moradores.

Terezinha de Jesus Almeida (28) e o marido moram há três anos numa casa de dois cômodos no bairro Freitas Filho. Há meses ela acompanha a movimentação de pessoas buscando marcos de concreto, mapas e limites do município. "Eu vi muita gente passando aqui com mapas na mão", conta. Ela também ouviu falar que poderá, enfim, receber o documento da sua casa.

Em frente ao terreno de 320 metros quadrados, Terezinha enxerga um marco de concreto de 1980. "É um marco do GETAT (Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins)", explica José Marcos Herbst (53). Ele é dono da empresa que fará a medição, para o Terra Legal Amazônia, da área urbana de oito municípios do Maranhão, doze do Pará e 900 imóveis rurais na região de Santarém, no oeste paraense.

GETAT

O Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins (GETAT) foi o primeiro grande movimento de colonização e resolução de conflitos fundiários nas regiões de Imperatriz (MA), do Bico do Papagaio (atualmente Tocantins, mas à época pertencia ao norte de Goiás), e no sudeste do Pará, em Marabá. O Conselho de Segurança Nacional trabalhava em 45 milhões de hectares.

Herbst, que é engenheiro agrimensor, foi funcionário do GETAT. Ele conta que mesmo com o esforço da época, nem tudo foi solucionado. Muitas áreas foram medidas e tituladas, mas depois de tanto tempo nada está igual. "Nossa dificuldade é encontrar os limites dos municípios porque eles cresceram depois de 30 anos e muitos marcos se perderam", explica. Governador Edison Lobão, por exemplo, era um pequeno povoado chamado Ribeirãozinho. Atualmente, a divisa do município ultrapassa a demarcação original.

Outra dificuldade apontada é a desconfiança da população urbana, e principalmente da rural, quanto aos serviços de medição. "Quando a gente chega na casa deles, às vezes ainda não querem nos receber porque acham que o governo vai tomar a terra”. A partir do momento que as equipes conseguem medir o imóvel, a informação se propaga pela vizinhança, a receptividade dos moradores aumenta e o número de cadastros no Terra Legal cresce nos municípios beneficiados pelo georreferenciamento.

"Sabíamos que essa desconfiança poderia acontecer pelo histórico de ação do Governo Federal na Amazônia. Sempre houve promessas, mas não se conseguiu completar todos os passos prometidos”, ressalta o coordenador do Terra Legal Amazônia, Carlos Guedes, que acompanhou o trabalho de Herbst.

"Com as equipes de georreferenciamento em campo, a população fica mais segura e percebe que o governo quer resolver o problema. Sempre instalamos um posto de cadastramento no município que está sendo medido porque a procura aumenta quando a movimentação do georreferenciamento começa", explica Guedes.

Meta

Herbst explica que o georreferenciamento é uma demarcação de limites de alta precisão. Com a conclusão dos trabalhos, além do desenvolvimento, os municípios podem conquistar a paz no campo. "Com o perímetro definido e o limite acertado com o vizinho, acabam os conflitos de terra na região", diz o agrimensor.

Até o final do primeiro semestre de 2010, o Terra Legal Amazônia doará o perímetro urbano a 96 municípios da Amazônia Legal. Mais de 800 mil moradores serão beneficiados.

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