Marchantes aceitam acordo da pecuária
sustentável
segunda-feira, 08/03/10 - 20h04
Eles receberam proposta do ajuste
de conduta e devem assinar em reunião no MPF
na próxima semana
Os marchantes – comerciantes que cumprem uma
função intermediária na cadeia
da pecuária, comprando gado das fazendas, abatendo
e revendendo carne – concordaram em aderir ao
Termo de Ajuste de Conduta da pecuária sustentável.
Cerca de 40 deles estiveram reunidos hoje na sede
do Ministério Público Federal no Pará.
Na próxima semana, no dia 17, eles devem voltar
ao MPF para formalizar o acordo, pelo qual param imediatamente
de comprar carne de fazendas que não estejam
no Cadastro Ambiental Rural. Alguns dos empresários
presentes informaram até que já estão
exigindo o Cadastro, desde 31 de janeiro, que foi
quando as 18 maiores empresas da indústria
passaram a fazer a exigência.
Três associações do setor compareceram
hoje e orientaram os associados a entrar no ajuste.
“Todos estão se regularizando, a associação
orienta todos a participarem do esforço. E
vamos denunciar quem se recusar e continuar na clandestinidade”,
disse José Leão, da Associação
Paraense dos Comerciantes de Carne. Também
estiveram representantes e associados do Sindicato
das Indústrias de Couro do Pará (Sindicouro)
e do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados
do Pará (Sindicarne).
“O MPF vai ser parceiro de todos que queiram
se regularizar, mas vai exercer a atribuição
de fiscalizar, com o rigor da lei, todos aqueles que
se recusarem a entrar no Cadastro”, explicou
o procurador Daniel César Azeredo Avelino.
Ele informou que, assim como os grandes, as empresas
de menor porte terão que se adequar às
regras ambientais e sociais: não podem mais
comprar de fazendas que não estejam cadastradas,
que explorem trabalho escravo, desmatamento ilegal
ou estejam invadindo terras públicas.
O MPF repassou aos comerciantes mais detalhes sobre
o Cadastro Ambiental Rural, a primeira das exigências
no caminho para a sustentabilidade da pecuária.
O Cadastro é público, fica hospedado
na internet, no site da Secretaria de Meio Ambiente
e pode ser feito em apenas um dia, a custos razoáveis.
“É o CPF da propriedade, por isso precisa
ter todas as coordenadas georreferenciadas do imóvel
rural”, explicou o procurador Avelino.
Abate clandestino – O MPF solicitou ainda aos
comerciantes do setor pecuário que denunciem
a existência de abatedouros clandestinos. Investigações
já estão em curso, em parceria com o
MP do Estado e a Polícia Federal sobre esse
tipo de matadouro, que também favorece o desmatamento
ilegal, porque permanece comprando gado de fazendas
que não se regularizaram, e ainda pode representar
risco à saúde dos consumidores.
Fonbte: ASCOM Procuradoria da República no
Pará