Política Nacional de Resíduos
Sólidos é aprovado na Câmara
segunda-feira, 15/03/10 - 09h20
A Política Nacional de Resíduos
Sólidos (PNRS), projeto de lei 203/91, aprovada
dia 10, no plenário da Câmara dos Deputados
em Brasília. Após quase 20 anos de discussões,
o texto aprovado, que deve seguir para o Senado, estabelece
entre outros conceitos o da responsabilidade compartilhada
pelo descarte ambientalmente correto dos resíduos
sólidos urbanos. Segundo o projeto, fabricantes,
importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores
e todos os agentes da cadeia produtiva devem ser responsabilizados
pelo destino do lixo, cada qual com a sua atribuição.
Outro ponto inovador do texto é o que determina
que fabricantes adotem o princípio da logística
reversa - retirada do mercado de produtos já
em desuso para serem reciclados.
O projeto sugere que as empresas
coloquem em prática a logística reversa
por meio do trabalho das cooperativas de catadores
de lixo. A Política formaliza também
a responsabilidade do consumidor pela separação
e acondicionamento adequado do lixo em municípios
onde há programas públicos de coleta
seletiva. “O projeto formaliza a tripartite
da reciclagem – empresas, governos e cidadãos
– criando diretrizes claras para que o país
avance no desenvolvimento sustentável”,
diz Victor Bicca, presidente do Cempre – Compromisso
Empresarial para a Reciclagem, entidade engajada em
promover a conscientização sobre a importância
da reciclagem no Brasil.
O projeto ainda prevê acordos
setoriais entre empresas e governo para o estabelecimento
de formas de recolhimento das embalagens recicláveis
e eletroeletrônicos, dentro da logística
reversa. Para o Cempre, a aprovação
da Política Nacional de Resíduos Sólidos
é um passo histórico rumo à profissionalização
da indústria da reciclagem que, além
de assegurar benefícios inquestionáveis
ao meio ambiente, tem muito potencial econômico.
“A indústria da reciclagem movimenta
cerca de R$ 12 bilhões no país. Se virar
lei, a PNRS dará um impulso ao setor”,
diz André Vilhena, diretor executivo do Cempre.
Segundo a Ong, o Brasil alcançou
o índice de 22% de reciclagem da porção
seca do lixo urbano (vidro, plástico, papel,
metais), o melhor resultado da América Latina.
“Porém, metade do lixo urbano brasileiro
ainda é depositado em lixões e aterros
clandestinos, um cenário que pode mudar com
a votação do projeto no Senado”,
diz Bicca. A expectativa do Cempre é que a
Política seja avaliada pelo Senado ainda este
ano.