Questões ambientais e logísticas
aumentaram tarifa de Belo Monte
quinta-feira, 18/03/10 - 09h55
por Luana Lourenço
O aumento do preço teto para a tarifa de energia
que será produzida pela Hidrelétrica
de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), aprovado hoje (17)
pelo Tribunal de Contas da União (TCU) levou
em conta o custo das condicionantes ambientais e as
dificuldades logísticas de se construir uma
obra faraônica no meio da floresta. É
o que diz relatório do ministro do TCU José
Múcio Monteiro.
O valor máximo para a energia de Belo Monte
subiu de R$ 68 para R$ 83 por megawatt/hora. O custo
total da obra, que era calculado em R$16 bilhões,
foi revisto para R$19 bilhões.
De acordo com o relatório de Múcio,
que avaliou a revisão enviada pela Empresa
de Pesquisa Energética (EPE), as 40 condicionantes
impostas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
elevaram os custos em R$ 801 milhões.
Mais R$ 2 bilhões foram acrescentados à
conta por questões logísticas. Além
de ser um empreendimento de grandes dimensões
– será a segunda maior hidrelétrica
do país – Belo Monte está distante
de centros urbanos e terá vários canteiros
de obras e acampamentos para trabalhadores espalhados
floresta adentro. O custo dessas estruturas, que antes
era calculado em 4% do valor total da obra, foi revisto
para 15%.
Para o ministro José Múcio, o aumento
no preço deixou a tarifa de Belo Monte “mais
realista” para o leilão. “O preço
agora ficou mais próximo dos de Jirau e Santo
Antônio [hidrelétricas do Rio Madeira].
Não cabe ao TCU dizer se isso é caro
ou barato, analisamos se o aumento estava dentro dos
critérios do tribunal”, avaliou.
Amanhã (18), a Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) realiza sessão extraordinária
para avaliar o edital de Belo Monte. Se as regras
forem aprovadas, o leilão deve ocorrer 30 dias
depois, atrasando a expectativa do governo, que havia
anunciado a licitação para o dia 12
de abril.
Fonte: Envolverde/Agência Brasil